Eurides Cunha

Eurides Cunha nasceu em Campo Largo, Paraná, em 26 de junho de 1872, filho do Coronel Domingos Cunha, chefe político do Município, e de Maria Núncia Portela Cunha. Feito o curso de humanidades, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, onde se formou em 1892, em plena efervescência da consolidação do regime republicano.

Sob a influência do pai, engajou-se na política na grei comandada por Generoso Marques dos Santos, líder do antigo Partido Liberal e, em seguida, da União Republicana, adversário figadal da corrente dos republicanos históricos de Vicente Machado. Elegeu-se deputado ao Congresso Legislativo estadual, legislatura de 1895, mas não tomou posse, em sinal de protesto, por não se conformar com a exclusão de candidatos da sua chapa pelo recurso de rodízio utilizado pelo partido dominante, o Partido Republicano. Seu gesto de rebeldia e de solidariedade causou enorme repercussão no seio da agremiação oposicionista, conferindo-lhe prestígio e liderança. Reelegeu-se nas eleições de 1910, cumprindo mandatos sucessivos até 1918. Radicando-se em Jaguariaiva, em cuja sociedade exerceu, com brilho, sua profissão, viu seu nome ganhar preferência para o cargo de prefeito municipal no pleito de 1912, reelegendo-se em 1916.

Admirado pela firmeza de seus atos, coerência de idéias e fidelidade ao programa de seu partido, emergente da Coligação Republicana, o Partido Republicano Paranaense, que substituiu as antigas siglas, não houve demora para ser convocado ao cargos mais altos da política estadual. Com a dissidência provocada no partido através da Concentração Republicana, comandada por Alencar Guimarães e Generoso Marques dos Santos, ficou ao lado de Affonso Camargo, ao qual lhe prendia a profunda amizade e companheirismo.

Nas eleições de 19 de Outubro foi eleito 1º vice-presidente do estado, na chapa do presidente Caetano Munhoz da Rocha, tendo entrado em exercício, interinamente, de 1º de maio a 26 de julho de 1921. Em 1923 foi reeleito, no mesmo cargo, no segundo mandato a ser cumprido pelo presidente Caetano Munhoz da Rocha. Assumiu a presidência no período de 1º de junho a 21 de Setembro de 1923, por ausência do titular. Pela linha de discrição e simplicidade com que manteve o decoro da investidura, valeu-lhe o respeito e admiração pública.

Dois anos após, candidatou-se a deputação federal. Eleito, com larga votação, assumiu a liderança da bancada no Congresso Nacional. Em 1928, ao assumir o governo do Estado, pela segunda vez, o presidente Affonso Camargo convocou-o para exercer o cargo de Prefeito Municipal de Curitiba.<br>
Desempenhou essas importantes funções de junho de 1928 a 3 de outubro de 1930, quando eclodiu a Revolução da Aliança Liberal, mudando o regime. Dessa data em diante, recolheu-se aos misteres da sua fazenda em Jaguariaiva, longe dos murmúrios e maledicências que todas as revoluções trazem no bojo.

Dedicou-se inteiramente à educação de doze filhos, todos ainda adolescentes e carentes da atenção paterna.

Com o retorno do país à legalidade em 1934, grupo de correligionários, entre os quais Caetano Munhoz da Rocha, Lindolfo Pessoa e Albuquerque Maranhão, foram buscá-lo no seu refúgio voluntário para candidatar-se à Constituinte. Euclides declinou e nunca mais se envolveu em política, conforme prometera ao sair de Curitiba em 1930. Regressou à Capital do Estado em 1946, fixando-se na sua chácara no bairro do Portão, onde viveu seus últimos dias. Completava oitenta e três anos de idade, ao falecer no dia 26 de junho de 1955.

Biografia: História biográfica da república no Paraná, de David Carneiro e Túlio Vargas, 1994.
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