José Marques Guimarães

Era o almirante José Marques Guimarães, filho de Manoel Marques Guimarães e de Ana Alexandrina de Abreu. Nasceu no Desterro (Florianópolis), Santa Catarina, a 25 de abril de 1838, onde aprendeu as primeiras letras. Em 1854 seguiu para a Corte. Assentou praça de aspirante a Guarda-Marinha em 1º de março e matriculou-se na Academia da Marinha. Foi reprovado no 1º ano, deu baixa, mas foi readmitido e aprovado em exame a 17 de dezembro de 1855.

Guarda-Marinha, em dezembro de 1857, embarcou no brigue Maranhão. Daí passou ao Itaparica, ao Recife, ao D. Pedro, ao Camacuan, à corveta

D. Isabel e de novo ao brigue Maranhão, do qual saiu pata o Ivaí, voltando ao brigue em que sua vida marinha havia começado. Passou ao Jequitinhonha, ao iate Capibaribe e de novo a corveta D. Isabel, onde foi promovido para 2° tenente. Nessa corveta naufragou a 11 de novembro de 1860, na Costa do Cabo Spartel, no litoral da Berberia.

Atendeu galhardamente ao salvamento de um navio incendiado no porto de Nova Iorque, e recebeu elogios.

Era homem animoso e franco, tendo tido daí por diante, até à guerra do Paraguai, varias prisões, admoestações e conselhos de guerra, de que se viu absolvido.

Primeiro tenente em 24.05.1862, foi eleito deputado à Assembléia Provincial de Santa Catarina. Em 1865 recebeu medalha humanitária por haver salvo náufragos do vapor Marseille e da escuna americana Marrokim.

Em novembro de 1865 começa a sentir a guerra do Paraguai. Assume o comando interno da canhoneira Greenhalgh e entra em jogo contra as baterias da Ilha Sant'Ana. Depois novamente bombardeia o Forte de Curupaiti. Promovido a capitão-tenente a 21.01.1867. Comandante da canhoneira Araguari e depois da Colombo, corveta encouraçada. Fez o forçamento de Humaitá e entrou no combate às fortificações do Passo de Angostura. Doente, teve licença para voltar ao Brasil. Nomeado diretor do Estabelecimento Naval de Cerrito.

Recebeu as comendas da Rosa, de S. Bento de Aviz e a medalha da campanha do Paraguai passadeira de prata nº3. Ainda esteve na esquadra em Assunção até 1873, voltando para o Rio onde recebeu comissão na Europa. Em 1875 recebeu o Monitor Javary e assumiu-lhe o comando. De volta ao Brasil respondeu a conselho de guerra por desobediência a ordens.

Serviu na esquadra em Montevidéu e montou o farol de Arvoredo em Santa Catarina. Em 1880, era capitão de Mar e Guerra. Comandou o cruzador Almirante Barroso e o encouraçado Solimões.

Em 1889, nomeado governador do Paraná assumiu o posto a 3 de dezembro. Em 11 de dezembro, dissolveu a Assembléia Legislativa e nomeia para fazer-lhe as vezes uma Comissão Municipal, chefiada pelo Dr. Vicente Machado. Que realmente foi um homem capaz de dirigir o movimento político, naquela emergência. Promovido a contra-almirante, deixa o governo do Paraná a 18 de fevereiro de 1890. Não completou três meses de administração.

Comandante da divisão de Cruzadores e logo chefe do Estado Maior da Armada, em 1892, é reformado no posto de vice-almirante, mas reverte ao quadro ativo de Armada, para assumir o cargo de Inspetor de Arsenal da Marinha da Capital Federal.

Signatário do Manifesto dos 13 Generais, que se rebelaram contra a posse de Floriano, foi mandado a Cucuí, no extremo norte do país. Sua atuação durante a campanha federalista, de oposição velada, sem atitudes desassombradas e nítidas. Mais tarde, Consultor efetivo do Conselho Naval e diretor da Escola Naval. Além das medalhas que já possuía, foi-lhe concedida a de ouro de serviços militares.

Faleceu em sua residência no Rio de Janeiro a 1º de janeiro de 1903. A seu pedido, foram-lhe dispensadas honras fúnebres. Foi sucedido pelo vice-governador Uladislau Herculano de Freitas.

Biografia: História biográfica da república no Paraná, de David Carneiro e Túlio Vargas, 1994.
Ilustração: Theodoro de Bona e Dulce Ozinski.

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