Tertuliano Teixeira de Freitas

Tertuliano Teixeira de Freitas nasceu em Salvador, a 06 de setembro de 1835. Era irmão do jurisconsulto Augusto Teixeira de Freitas. Entre este e Tertuliano, que era o mais moço de numerosa prole, havia um espaço de 18 anos. Seus pais eram os Barões de Itaparica, o título sendo de 1826, dado a Antônio Teixeira de Freitas Barbosa para recompensar-lhe o comportamento durante a campanha da Independência.

Augusto formou-se em Olinda em 1837 já casado com uma prima, Matilde Teixeira de Lima, e ingresso na magistratura, de que desistiu para jogar-se à Consolidação das Leis Civis e o Esboço do Código Civil, que o tornaram homem famoso e jurisconsulto de vasto renome.



Tertuliano segue as pegadas do irmão mais velho. Depois de tirar primeiros estudos e preparatórios em Salvador, ingressa na Faculdade de Direito de São Paulo em 1854, para formar-se em 1859 na mesma turma do Conselheiro Manoel Alves de Araujo. Fez curso brilhante, mas suas tendências não eram para jurisprudência, mas para as ciências física e matemática.

Como Augusto Teixeira de Freitas viesse para Curitiba, a conselho médico, com toda a família, a proximidade do irmão atraiu Tertuliano, que se enamorou de uma sobrinha, Helena T. de Freitas (nascida na Bahia em 13.08.1844), com ela se casando em pouco tempo.

Ingressou no magistério e como professor de matemática muito prestigioso. Foi o decano do Liceu Paranaense de Curitiba, que o teve como professor poucos anos após sua fundação. Elegeu-se deputado ao Congresso Constituinte estadual de 1891, pela União Republicana.

Chefe de polícia de vários governos ao tempo de Província, e voltou a sê-lo em 1894, como assessor do Marechal Cardoso. Este, nomeado governador revolucionário, em 24 de março, não pôde assumir. Tertuliano teve, então, em suas mãos, por duas semanas, o comando da administração, em situação precária com falta de recursos. Sua nomeação, todavia, só saiu a 03 de abril. Três dias após, transfere o poder, já combalido, a Antônio J.F. Braga, por ordem de Gumercindo Saraiva.

A revolução federalista já entrara em processo de agonia, pois em maio os revoltosos abandonavam o Estado. Perdida a luta, Tertuliano esperou pacientemente que a onda revanchista passasse e que as possibilidades de vingança desaparecessem. Voltou depois às suas aulas e, à sua vida, um tanto cética quanto boêmia, até que a morte o encontrasse a 24 de julho de 1910. Sua esposa também faleceu em Curitiba a 17 de maio de 1921.

Biografia: História biográfica da república no Paraná, de David Carneiro e Túlio Vargas, 1994.
Ilustração: Theodoro de Bona e Dulce Ozinski.

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