Antonio José Ferreira Braga

Antonio José Ferreira Braga nasceu em Macaé, Estado do Rio de Janeiro, em 30 de dezembro de 1845, segundo anotação do Dr. Guaraná e formou-se em Direito em São Paulo, na turma de 1869.

Já casado com Maria da Cruz Coutinho (que faleceu em São Paulo em 1929), foi residir em Sorocaba, onde lhe nasceram seis filhos, Maria Alice (casada com Inácio Pereira da Rocha, ilustre cirurgião pioneiro em Caçapava e formado na Bélgica – com clínica em Sorocaba e São Paulo, onde faleceu entre 1915 e 1920 como Senador Estadual), Alzira (casada com José Rodrigues da Costa, filho do português Manoel Rodrigues da Costa) e Leonor (casada com João de Sales Abreu) a mais moça de todos; e um filho, Joaquim

Ferreira Braga (casado com Celisa da Fonseca – filha de Manoel José Fonseca, que morreu assassinado em 1911 em Sorocaba).

Tinha outra filha casada com Teodomiro Dias e outra chamada Zulmira, que ficou solteira.

Ferreira Braga iniciou-se como advogado. Redigiu o “Ipanema”, em que Ubaldino do Amaral era colaborador (1875-1881). Foi promotor público em Brotas (1875) e voltou a Sorocaba atacou Maylasky, fundador da Sorocabana.

Era republicano e desejava democracia à maneira da Suíça, com a consulta ao povo a todos os propósitos.

Em 1875 voltou a ser monarquista e entrou no Partido Liberal. Residia, então, à Rua das Flores, em Sorocaba, em casarão antigo de porta e oito janelas. Foi, várias vezes, Presidente da Câmara Municipal e deputado provincial. Deputado Geral na última legislatura da Monarquia, de onde o tiraram para presidir a Província do Pará, que governou durante alguns meses em 1889.

Esteve em Sorocaba de volta, a 16 de novembro de 1889. Na noite de 17 devia haver em sua honra uma grande festa, mas a companhia do teatro transformou essa homenagem em festa dedicada a honrar a República recém proclamada.

Aí Ferreira Braga aderiu, e ainda teve privilégio local como presidente da Câmara.

Levado à Constituinte Estadual de São Paulo, foi ameriquista e contrário à derrubada dos deodoristas por Floriano.

Deputado à primeira legislatura republicana (1891-92), tendeu a reagir contra o governo do marechal.

Fora deputado à Assembléia Provincial de São Paulo nas legislaturas 24ª (1880-81 – 1º Distrito), 25ª (1882-83 – 4º Distrito), 26ª (1884-85), 27ª (1886-87 – 4º Distrito), 28ª (1888-89 - 4º Distrito) e não era pequeno o seu prestígio.

Com a revolução, aparentemente, vitoriosa no Sul, veio para Curitiba 8 ou 10 dias antes de tomar posse no governo federalista, o que se deu a 05 de abril de 1894. Seu governo durou até primeiro de maio, o último do ciclo rebelde. Saíra às escondidas de Sorocaba por Piedade e Apiaí, contornando Pilar, S. Miguel Arcanjo e Capão Bonito.

Fora atraído ao Paraná pelo Dr. Manoel Lavrado Ferreira Braga, que era dono do jornal “A voz do Povo”. Assumiu o governo revolucionário quando este já se encontrava nos estertores, por puro idealismo político.

Após a vitória de Floriano, voltou a São Paulo e asilou-se em casa de seu genro, médico influente; pressionado pelos adversários que lhe desejavam a prisão.

Um telegrama de Pereira da Rocha e Manoel Fernandes, em 1896, explica a situação ulterior: “Supremo Tribunal Federal anulou processo do Dr. Ferreira Braga que está completamente livre”.

Assim chegou a Sorocaba, os florianistas empastelaram-lhe o jornal.

Retirou-se, então, para São Paulo, pobre e desiludido e, mais tarde, como fiscal do governo federal junto ao Ginásio de S. Bento, viveu os últimos tempos de sua vida. Escusado dizer que passou em extrema pobreza e angustiado ceticismo.

Faleceu em São Paulo a 18 de agosto de 1908, depois de haver vivido no hospital de isolamento, junto ao leito de um netinho, alguns dias amargos e angustiosos.

Biografia: História biográfica da república no Paraná, de David Carneiro e Túlio Vargas, 1994.
Ilustração: Theodoro de Bona e Dulce Ozinski.


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