Mário Alves Monteiro Tourinho

Mário Alves Monteiro Tourinho nasceu na cidade de Antonina a 12 de setembro de 1871, era filho do ilustre engenheiro, Capitão de Estado Maior de 1º Classe Francisco Antônio Monteiro Tourinho e de Maria Leocádia da Costa Alves.

Estudou primeiras letras em sua cidade natal e em Curitiba, onde em 1886 assentou praça voluntária a 29 de maio, no segundo Corpo da Cavalaria. Freqüentou aulas logo depois no Instituto Paranaense, tendo como colegas de turma, entre outros, Dario Velozo e Sebastião Paraná. Em começo de 1889, março, passou a 8º de Cavalaria, seguindo para a Corte a fim de matricular-se na Escola Militar.

Freqüentava a Escola de Tiro do Realengo e como adido ao 1º de Cavalaria, como servente de metralhadora comandada pelo alferes aluno Moreira Guimarães, assistiu à Proclamação da República a 15 de Novembro de 1889.

Matriculado na Escola Militar da Praia Vermelha e depois transferido para Porto Alegre, encontrava-se no Paraná em gozo de férias quando a revolução federalista aproximou-se deste Estado.

Em Paranaguá, fazendo parte do destacamento da defesa do litoral, aí o encontrou o general Francisco de Paula Argolo, que o convidou a fazer parte das forças que se destinavam a operar em Santa Catarina. E foi assim que se viu na força de artilharia que defendeu Santa Catarina e que voltou ao Paraná, estacionando na Lapa sob o comando de Gomes Carneiro.

Tomou parte nos combates exteriores de 20,22 e 23 de dezembro contra o general Piragibe e depois na Lapa esteve durante ao 26 dias da resistência, como segundo tenente em comissão. Passada a tormenta revolucionária, recomeça o seu curso de armas em Porto Alegre em 1896.

Ajudante de ordens do general Francisco da Rocha Calado em 1900 (5º Distrito Militar), voltou ao Rio no intuito de terminar seu curso de engenharia. Porém, perdendo sua primeira esposa, Osminda Rebelo Tourinho, desistiu do curso e logo voltou a Curitiba, onde, em segundas núpcias, uniu-se a Leopoldina Rebelo Tourinho, tendo filhos de ambos os matrimônios.

Em 1915 seguiu para a região do Contestado, no comando da 2ª Bateria de Obuseiros. Mais tarde fiscal e logo comandante do Colégio Militar de Barbacena, em Minas. Voltou ao Paraná para comandar a Policia. Em 1924, comandando grupamento de artilharia, fez o sítio de São Paulo, que estava ocupado pelos revolucionários do general Isidoro Lopes. Ainda comandou o 9º RAM e por algum tempo o Arsenal de Guerra, de Porto alegre.

Em Outubro de 1928 pediu reforma e aí o surpreendeu a Revolução da Aliança Liberal, de 1930, que tinha no Estado a liderança do então coronel Plínio Tourinho, seu irmão. Assumiu o governo do Estado, em caráter provisório a 05 de outubro, indicado pelo comandante do 5º RCO e demais chefes de tropas, quando a situação ainda não se encontrava definida. Com a consolidação e vitória da revolução, foi nomeado interventor federal.

De formação militar, habituado à disciplina castrense, nunca havia se envolvido na política. Durante seu curto período de governo realizou os estudos para a recuperação financeira do Estado, mas não teve tempo de executá-la, pois pressionado pelos tenentes que desejavam a partilha do poder, não se submeteu aos seus intentos, inflexível que era no trato da coisa pública. Promoveu sindicâncias sob critérios apolíticos, apurou responsabilidades sem intenções preconcebidas, anulou concessões de serviços públicos mediante acordos amigáveis, enfim, adotou parâmetros de procedimentos sem a passionalidade das emoções revolucionárias. Isso descontentou muitos segmentos partidários e os quartéis.

Viu-se, de repente, sob o turbilhão de intrigas que lhe desestabilizavam o governo. Sem o chamado “jogo de cintura” para aparar arestas e nem satisfazer ambições desmedidas, por ser brioso e justo, obrigou-se a renunciar ao cargo em 29 de dezembro de 1931.

Durante seu governo o Paraná recebeu a visia do Príncipe de Gales, mais tarde Eduardo VII. Curitiba foi ainda sede do Congresso de Erva-mate em 1931, presidido pelo ministro Lindolpho Collor. Deixou obras escritas sobre história, além de preciosos relatórios.

Faleceu na capital do Estado a 25 de outubro de 1964, pela madrugada, apenas sete anos antes do seu centenário.

Biografia: História biográfico da república no Paraná, de David Carneiro e Túlio Vargas, 1994.
Foto: Galeria do Salão dos Governadores do Palácio Iguaçu, reproduzida por Simone Fabiano.

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