Manoel Ribas

Manoel Ribas, filho de Augusto Ribas e Pureza de Carvalho Ribas, nasceu em Ponta Grossa, Paraná, dia 08 de março de 1873. Herdou o nome do avô, o brigadeiro Ribas, que fez a expedição ao alto Paraná a fim de guarnecer as fronteiras durante a Guerra do Paraguai. Estudou em Castro, no colégio do Professor Serapião, onde foi aluno de Rocha Pombo. Casou-se também nessa cidade.

Em 1897 deslocou-se para Santa Maria, Rio Grande do Sul, convidado para organizar a Cooperativa dos Empregados da Viação Férrea do Rio Grande do Sul. Realizou administração altamente proveitosa, o que lhe valeu ganhar notoriedade.

Em razão disso, foi eleito em 1927, prefeito daquela cidade.

Quando o interventor do Paraná, general Mário Tourinho, renunciou ao cargo, após a revolução de 30, o presidente Getúlio Vargas foi buscá-lo em Santa Maria, pois o considerava solução conciliatória para os confrontos políticos que se desencadearam com a vacância da interventória. Veio governar com a autoridade e prestígio de uma bem sucedida carreira na área administrativa empresarial. Assumiu dia 30 de janeiro de 1932. Permaneceu durante treze anos à frente do governo paranaense, ora como interventor de 1932 a 1934, ora como governador de 1935 a 1937, e outra vez como interventor de 1937 a 1945.

Autodidata, simples, severo, era, apesar do gesto rude, um grande coração. Generoso e honesto, destacava discursos longos e homenagens protocolares. Em torno de seu procedimento singular criaram-se lendas de inefável sabor folclórico. O apelido de “Mané Facão” adveio-lhe do corte, a que foi obrigado, de funcionários públicos em excesso diante de um quadro financeiro caótico que lhe incumbia administrar.

Apesar de parcos recursos disponíveis, realizou importantes obras básicas, sem descuidar da assistência aos pobres e desvalidos, cujos dramas muito o sensibilizavam. Construiu, por exemplo, a Estrada do Cerne, iniciada em 1935 e concluída em 1940, ligação vital ao desenvolvimento integrado do Estado, numa distância de 700 quilômetros, ligando o Paraná de Curitiba ao Porto Alvorada, com bifurcação para Londrina e Jacarezinho.

Iniciou as obras das estradas de Curitiba a União da Vitória e de Ponta Grossa a Apucarana. Intensificou o fomento a agricultura, mediante a construção de escolas rurais e distribuição de sementes selecionadas; intensificou a melhoria da pecuária com a criação de cavalos de corrida, a importação de reprodutores da raça “jersey”; reaparelhou o Porto de Paranaguá; apoiou a cafeicultura, ampliou atenção à educação com a construção de escolas, de que é exemplo maior o Colégio Estadual, em Curitiba; priorizou a Saúde Pública, com a implantação de centros de assistência sanitária, laboratórios e dispensários.

Deu ênfase especial aos programas assistênciais, criando a casa do Pequeno Jornaleiro e outras semelhantes. Fez tudo com inflexível rigor na obediência da execução orçamentária.

Fiscalizava pessoalmente as repartições públicas, surpreendendo os funcionários relapsos que eram sumariamente demitidos. Com isso ganhou muitos inimigos, mas cativou respeito e confiança da maioria esmagadora da população.

A Indústria Klabin localizou-se no Paraná por sua influência e apoio. A abertura à colonização do norte do Paraná foi outro empreendimento decorrente da sua visão de governante preocupado com o futuro. Segundo os críticos, seu erro maior foi permitir o desmembramento do Estado com a criação do Território do Iguaçu. Nesse episódio, todavia, prevaleceu sua fidelidade ao presidente Getúlio Vargas, após exauridas todas as gestões para impedir a mutilação.

O cooperativismo encontrou nele defensor permanente, dada a grande experiência que trouxera de Santa Maria. Desprovido de títulos acadêmicos, seu desempenho em favor das atividades culturais retrata um administrador sensível e pragmático que soube estimular vocações artísticas. Entre os muitos talentos que incentivou destaca-se o mestre Poty, ao qual concedeu bolsa de estudos para estudar no Rio de Janeiro.

Com a deposição do presidente Getúlio Vargas em 1945, caiu também o interventor Manoel Ribas. Deixou o Palácio São Francisco, antiga sede do governo, em 06 de novembro, após o longo predomínio na administração e política do estado. Faleceu em Curitiba a 28 de janeiro de 1946, quando o país nascia para nova reconstitucionalização.

Biografia: História biográfica da república no Paraná, de David Carneiro e Túlio Vargas, 1994.
Foto: Galeria do Salão dos Governadores do Palácio Iguaçu, reproduzida por Simone Fabiano.

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