Moysés Lupion

Moysés Lupion nasceu em Jaguariaíva, Estado do Paraná, a 25 de março de 1908, filho de João Lupion de Troya e Carolina Döepfer Wille Lupion de Troya. Estudou em sua cidade natal, Castro, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. Nesta última formou-se em contabilidade pela Escola Álvares Penteado. Retornou ao Paraná e fixou-se em Piraí do Sul, onde iniciou suas atividades no comércio, indústria e agricultura.

Mudou-se para Curitiba ao expandir seus negócios, já plenamente vitorioso na iniciativa privada.

Sua participação empresarial e comunitária no Estado conferiu-lhe grande prestígio pessoal, dada a liderança que passou a exercer como novo estilo administrativo.

Tornou-se um grande amigo do interventor Manoel Ribas, assistindo-o, notadamente, após deposição do governo em 1945.

Suas qualidades de comando e lealdade não passaram despercebidas das agremiações partidárias que se formaram após o Estado Novo. Nasceu, espontaneamente, o movimento em torno de seu nome com vistas às eleições para a governança do Estado. Embora mais identificado com o Partido Social Democrático, as disputas internas que multiplicavam alas e dissidências, sua candidatura somente consumou-se por iniciativa do Partido Trabalhista Brasileiro. Em seguida, ele foi apoiado pelo próprio Partido Social Democrático, a União Democrática Nacional e o Partido de Representação Popular, formando uma imbatível coligação. Seu adversário nesse pleito foi o professor Bento Munhoz da Rocha Netto, lançado pelo Partido Republicano, com o apoio de outros pequenos partidos.

Após uma tranqüila campanha eleitoral, Lupion foi eleito com 91.059 votos contra 45.941 votos de Munhoz da Rocha. Ao chegar ao governo, Moysés Lupion já comandava enorme império econômico. Com trabalho e inteligência, seus negócios prosperaram de tal forma graças a investimentos industriais bem sucedidos. Nunca tivera qualquer preocupação política, pois sua atenção esteve sempre desviada para construção do sonho industrial que sempre o empolgou, conforme diria mais tarde em discurso no Estado. Estava, entretanto, diante de novo desafio. A tônica do seu discurso de candidato foi a de construir um Paraná maior. Ao empossar-se diria “O que temos para realizar excede as minhas forças pessoais, mais eu asseguro que será a hora em que possam falar os capazes de criar alguma parcela de bem comum”. Esse primeiro quatriênio foi brilhante e fecundo. Caracterizou-se por inteligente política de planejamento, de ocupação de esforços territoriais e de integração geo-econômica. O início da cafeicultura coincide com a expansão da indústria madeireira, atraindo para o Paraná, sucessivas correntes migratórias. O Estado experimentou notável avanço progressista.

Lupion assegurou o desbravar do norte e do oeste do Estado, embora a turbulência desse processo colonizador e projetou estradas capazes de viabilizar um excelente plano viário. Na área social, a que deu ênfase, criou a Casa do Trabalhador, a Caixa de Habitação Popular, a Casa do Estudante Universitário e outras entidades similares. Politicamente, porém, Lupion não teve inspiração de manter a coligação, o que lhe foi fatal, já que, igualmente, não conseguiu eleger seu sucessor, o engenheiro Ângelo Lopes. Voltou ao Governo do Estado em 1955, beneficiado na campanha eleitoral pela divisão de forças que davam sustentação ao governador Bento Munhoz da Rocha Netto, que o sucedera anteriormente. Nada menos de cinco candidatos disputaram as eleições. Três eram originários do mesmo núcleo coligado: Mário de Barros, Othon Mader e Luiz C. P. Tourinho. Essa dispersão de forças facilitou-lhe o retorno, cuja votação de 185.108 votos contra 131.152 dados ao segundo colocado, Mário de Barros, dos Partido Trabalhista Brasileiro, reafirmava, contudo, a excelência de sua liderança pessoal. O segundo governo de Lupion foi extremamente tumultuado. Seus oposicionistas concentraram baterias no objetivo de desmoralizar suas estruturas. E não falharam nesse intento. Orquestraram de tal maneira essas críticas deixando a opinião pública em catarse.

As investigações e inquéritos promovidos, mais tarde, durante o período revolucionário de 64, nada apuraram, embora o rigor da repressão. Não se pode ignorar o elenco de realizações dos seus dois períodos de administração pública. Dinâmico, modernizante, humano, alargou as fronteiras do desenvolvimento paranaense.

Instituiu técnicas de planejamento governamental, desenvolveu profunda política municipalista, promoveu o parlamento intensivo da terra, fundou a Bolsa de Valores e a Bolsa do Café, duplicou o precário potencial elétrico do Estado, criou o Tribunal de Contas, desenvolveu o projeto da Capivari-Cachoeira, o aproveitamento do xisto-betuminoso, lançou a construção da Estrada de Ferro Central do Paraná, executou ambicioso plano rodoviário, escolas superiores, contribuiu decisivamente para a federalização da Universidade do Paraná, ajudou a instalação do Colégio Militar em Curitiba, doou área do Guabirotuba para edificar a Universidade Católica, entre outras obras de relevância.

Senador em 1954, deputado federal em 1962, em todas as eleições deixou a marca de seu fascínio pessoal, espírito de tolerância, dotes de espírito. Em 1964, por ato do Comando Supremo da Revolução, teve seu mandato cassado e suspensos por dez anos seus direitos políticos. A própria CGI (Comissão Geral de Investigações) declarou, posteriormente, nada encontrar de concreto nas acusações. Foi também absolvido de todas as acusações que se lhe intentaram na Justiça. Retirou-se da atividade política, dedicando-se a construção de sua vida empresarial, no Rio de Janeiro.

Faleceu no Rio de Janeiro em 29 de agosto de 1991.

Biografia: História biográfica da república no Paraná, de David Carneiro e Túlio Vargas, 1994.
Foto: Galeria do Salão dos Governadores do Palácio Iguaçu, reproduzida por Simone Fabiano.

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