Ney Aminthas de Barros Braga

Ney Aminthas de Barros Braga. Nasceu na cidade da Lapa, Estado do Paraná, em 25 de julho de 1917. Filho de Antônio Lacerda Braga e Semiramis Barros Braga. Fez o curso de humanidades na Lapa e Curitiba. Seguiu as carreiras das armas, tendo concluído o curso superior na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, de onde saiu aspirante de Oficial da Arma da Artilharia, em 1937. Serviu nos Estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná.

Realizou vários cursos de aperfeiçoamento entre os quais o da Escola de Comando e de Estado Maior do Exército, que concluiu em 1948. Dedicou-se à vida militar e política.

Foi Chefe de Polícia (equivalente Secretario de Estado da Segurança Pública) entre 1952 e 1954 durante o governo Munhoz da Rocha. Sua performance no cargo, enérgica e humana, correspondeu aos anseios da população. Credenciado, por isso, a disputar, por eleição direta a Prefeitura Municipal de Curitiba, em 1954, elegeu-se com significativa votação.

Realizou administração modelar pelas reformas urbanas que implementou, modernizando a cidade. Racionalizou o sistema de transportes coletivos. Levou energia elétrica aos bairros, acionou mecanismos de planejamento, instituiu a primeira Comissão de Cultura, isentou circos e teatros de impostos municipais, instalou bibliotecas na periferia, estimulou programas de preservação de áreas verdes, construiu praças, cuidou da segurança e do abastecimento, imprimiu severa austeridade aos gastos públicos.

Candidatou-se, a seguir, à Câmara dos Deputados, obtendo a maior votação individual da época (1958), eleito pelo pequeno Partido Democrata Cristão. Conquistou 33% dos votos da Capital, fato inédito até hoje numa eleição proporcional. Permaneceu pouco tempo na Câmara, mas o suficiente para abordar temas de alta relevância, tais como a posse da terra no oeste e sudoeste paranaense, além de outros.

Candidato do PDC, em 1960, ao governo do Estado, encarnando a oposição, viu crescerem suas chances de vitória, graças ao seu desempenho tribunício numa campanha difícil e histórica. Pode-se mesmo afirmar haver sido um fenômeno político, tais as características pessoais que conferiu à luta eleitoral, praticamente sozinho e sem recursos financeiros.

Dotado de raro carisma, juntou-se a essa singular condição a campanha presidencial de Jânio Quadros, à qual o povo lhe associou o nome. Vitorioso, propôs-se a realizar as inovações da sua plataforma, ciente de encontrar dificuldades e carências, pois o Estado se encontrava com sérios problemas administrativos. O Paraná ainda estava vivendo vertiginoso processo de ocupação, assoberbado pela monocultura do café, sem energia elétrica, nem rodovias pavimentadas, capazes de dar vazão ao fluxo da produção agrícola, enfim, sem infra-estrutura compatível com a votação diversificada do seu espaço geográfico.

Sua preocupação primeira foi de atender aos pendores do Estado para a industrialização. Importava, pois, fontes de geração de energia, rede viária, sistema de abastecimento de água, redes de armazéns, assistência ao produtor rural, enfim, praticamente tudo em termos de uma política global de desenvolvimento social e econômico.

Fortaleceu a Copel, recuperou o Banestado, asfaltou a Rodovia do Café, elo de integração entre o sul e norte, equacionou as questões de terra, principalmente no sudoeste. Implantou novas centrais geradoras de energia elétrica. Eliminou os racionamentos e atraiu novas indústrias. Iniciou o sistema de telecomunicação por microondas. O Paraná deu um salto. A renda da economia paranaense cresceu 153% nesse período.

Trouxe para o estado a refinaria Getúlio Vargas, de Araucária.

Criou a Codepar (mais tarde, Banco de Desenvolvimento do Paraná), o IPE, IAM, Café do Paraná, Celepar, Sanepar, Fundepar, etc. E o BRDE, com os governadores de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esses órgãos, atuando com maior flexibilidade, lhe permitiram assegurar ao Paraná um ciclo notável de prosperidade. Não descuidou, contudo, do lado humano da gestão pública, atendendo aos menores carentes e as necessidades básicas das populações até então marginalizadas.

Seu prestígio como administrador e líder político levou-o ao plano federal, em 1965, Ministro da Agricultura no governo revolucionário do presidente Castello Branco. Renunciou ao cargo de governador, sucedido por Algacyr Guimarães. Suas ações naquela pasta destinaram-se a melhoria da produtividade, a organização e comercialização dos produtos agrícolas.

Fixação dos preços mínimos antes do plantio, instalou a Comissão Consultiva Nacional do Crédito Rural. Encaminhamento dos anteprojetos de lei das Cooperativas e da oficialização do ensino agrícola e veterinário.

Medidas voltadas para o equilíbrio ecológico também foram adotadas com a elaboração da primeira legislação de incentivos fiscais para o reflorestamento. Novo Código de Pesca e proteção à fauna. Criação do Instituto Brasileiro da Defesa Florestal, cujos estudos preliminares foram de seu Ministério.

Elegeu-se em 1966, pela ARENA (Aliança Renovadora Nacional), para o Senado, onde ocupou a 1ª secretaria e implantou os serviços de processamento de dados (Prodasen), programas de construção de moradia para os funcionários, além de presidir as comissões técnicas da Agricultura, Relações Exteriores, Segurança Nacional, Indústria e Comércio e ALAC. Recusou-se a apoiar a edição do Ato Institucional nº 5 do governo revolucionário, dada sua vocação liberal. Ameaçado de cassação, esteve no ostracismo durante o governo Emílio Médici.

Em 1974 foi convocado pelo presidente Geisel para compor seu ministério, sendo destinado a Pasta da Educação e Cultura. Voltaria fortalecido a se destacar por medidas inovadoras. Instituiu o Crédito Educativo, o Fundo de Assistência ao Atleta Profissional, o Conselho Nacional de Direitos Autorais, a Política Nacional de Educação Física e Desporto, o Programa Nacional de Pós-Graduação; criou o Concine, a Funarte, enfim, iniciativas modernizantes e objetivas.

Sua influência, nessa fase, altamente marcante, possibilitou ao Paraná presença significativa nos altos escalões da República, através da convocação de muitos valores paranaenses a integrar os quadros da administração federal. Em nenhuma época, na história do país, o Estado do Paraná participou tanto das decisões nacionais. E nenhum governante, na moderna história republicana, exerceu como ele tão longo predomínio político no seu Estado.

Ney voltou ao governo do Paraná em 1978, em eleição indireta, para novo período de operosa administração. As diretrizes do seu programa de ação estiveram definidas em cinco pontos fundamentais: o aumento da renda per capita da população paranaense, a difusão espacial do bem-estar, o incentivo ao desenvolvimento e a promoção cultural, a resposta do Paraná para o Brasil e ações para o futuro do Paraná.

Dedicou particular atenção à defesa do meio ambiente, à interiorização do apoio à produção, a criação do Pró-rural, à movimentação do setor de transportes, a reativação do porto de Antonina, a definição do traçado da Ferrovia da Soja, a legalização de 46 mil propriedades, o apoio aos municípios mediante o PRAM; a construção de 26 mil casas populares e escritórios regionais da FAMEPAR e EMOPAR.

Uma rápida visão de segundo governo permite a avaliação da sua operacidade, apesar de já viver o país um processo de crise econômica, cujo ônus recaíram, como era de esperar, sobre o partido político que sustentava o governo, O Partido Democrático Social (PDS). A criação da Secretaria de Estado e da Cultura e do Esporte foi um dos pontos altos de seu segundo governo.

Por ocasião das eleições presidenciais em 1985, no Colégio Eleitoral, dos articulares do chamado ”Acordo de Minas”, que viabilizou as candidaturas de Trancredo Neves e José Sarney, tendo para isso rompido com seu partido e ingressado na nova agremiação fundada por Aureliano Chaves e Marco Maciel, o Partido da Frente Liberal.

Ao formar a sua equipe de governo, Tancredo Neves convidou Ney Braga para assumir a presidência da Itaipu Bi-Nacional, a maior usina hidrelétrica do mundo, cargo em que foi confirmado depois pelo presidente José Sarney. Concluído o mandato, retirou-se da militância partidária, acompanhando, à distância, os acontecimentos políticos.

Biografia: História biográfica da republica no Paraná, de David Carneiro e Túlio Vargas, 1994.
Foto: Galeria do Salão dos Governadores do Palácio Iguaçu, reproduzida por Simone Fabiano.
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